Você sabia?

Que hoje é o dia nacional da poesia?


Eu nunca pensei que faria um post sobre poesia. Porque, tecnicamente, eu não sou muito fã de poesia. Acho uma coisa chata de ler. Mas claro que, ainda bem, há exceções.
Basicamente, faço exceções para alguns grandes poetas, todos brasileiros.


Deixo aqui um pouquinho de dois deles:


Vinícius de Moraes




Pela luz dos olhos teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar. 


Levanta a mão aí quem não se emociona com esse poema/música?


Mário de Andrade


Ode ao Burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquelo burguês-burguês!A digestão bem-feita de São Paulo!O homem-curva! O homem-nádegas!O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!Eu insulto as aristocracias cautelosas!Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!Que vivem dentro de muros sem pulos,e gemem sangue de alguns mil-réis fracospara dizerem que as filhas da senhora falam o francêse tocam os “Printemps” com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!Fora os que algarismam os amanhãs!Olha a vida dos nossos setembros!Fará sol? Choverá? Arlequinal!Mas as chuvas dos rosaisO êxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!Morte às adiposidades cerebrais!Morte ao burguês-mensal!Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiuguiri!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!_ Ai, filha, que te darei pelos teus anos?_ Um colar... _ Conto e quinhentos!!!
_ Más nós morremos de fome!
Come! Come-te a ti mesmo, oh! Gelatina pasma!Oh! Purée de batatas morais!Oh! Cabelos na ventas! Oh! Carecas!Ódio aos temperamentos regulares!Ódio aos relógios musculares! Morte á infâmia!Ódio à soma! Ódio aos secos e molhadosÓdios aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!Dois a dois! Primeira posição! Marcha!Todos para a central do meu rancor inebriante!Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!Morte ao burguês de giolhos,cheirando religião e que não crê em Deus!Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!Ódio fundamento, sem perdão!Fora! Fu! Fora o bom burguês!... 


Aos 16 anos, na escola, fizemos a Semana de Arte Moderna (duas turmas - mais de 60 adolescentes, sob minha direção) e uma dupla maravilhosa de alunos (que não lembrarei os nomes, infelizmente) interpretou esse poema no papel de bêbados. Foi hilário! 


E você? Gosta de poesia?


Bêjo!

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